segunda-feira, 12 de julho de 2010

Fui

O Versos trocou de endereço.

www.versosqueguardeiparamim.wordpress.com

Prometo que a frequência de postagens vai mudar também.

cya

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Morto

Tanto faz estar aqui.
Tanto fez existir.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

DR

-Cineminha?
-Não sei, temos que conversar.

-blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah
-blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah
-blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah
- blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah
- blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah blah
- blah blah blah blah blah blah blah
- blah blah
- blah
-...
-...














- Cineminha?
- Claro, pera só eu me maquiar.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Velho homem

Eu não sei direito o que aconteceu, mas finalmente pude dormir. É a primeira noite que me encontro com hálito de sono, cabeça fresca, corpo mole. Macio como um bom filé abatido. Carne fresca. Uma gloriosa manhã de domingo em que RIP, descansei em paz e assim esqueci do mundo, de mim, de todos. Deixei a gaiola aberta e minha mente bateu as asas, uma andorinha livre para voar aonde bem quiser. Até mesmo nos lugares mais vagos, aonde se menos quer.


E o engraçado é que elas quase sempre vão para lá.


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Isso não acontece há o quê? Há meses ou Meio ano, decerto. O motivo? Sei bem por que, não vou negar. Mesmo assim não conto garoto. Acredite, pouco importa o motivo, ninguém liga para a porcaria do motivo. Pode ser uma richa, um amor, meia dúzia de palavras, uma falta de brilho no olhar ou uma história. Ou a ausência dela. Pouco importa. Todos nós temos um motivo para não piscar os olhos e nenhuma energia para gastar com a dos outros. Não me pergunte se isso é a causa ou a conseqüência. Pergunte-me sobre o rancho, disso sim eu entendo.


Venha cá, essa varanda está aos pedaços. Vamos laçar uns touros perto do riacho.


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Você é insistente garoto, não tem o que contar. São só problemas de um velho.

A única coisa que sei é que desde daquele dia não tenho tido mais descanso: não já basta essa dor de coluna, tenho que aguentar esses fantasmas do passado a bater na minha porta, sempre a me condenar. Como havia dito, já fazem meses, começando depois de uma semana algo assim e desde lá não consegui parar mais de vigiar. Força de hábito, aposto que os peixes me entendem. Se eles pudessem escolher, dormiriam espichados e duros que nem pedra, como o seu Nhô faz quando come a bucha e se joga no sofá. Com os dois olhinhos fechados, ao invés de abertos. Só que eles sabem, há tubarões a milhares, nunca descansam. Sempre rondam ao redor esperando você baixar a sua guarda, vultos negros, terríveis, assustadores que se movem constantemente e Deus, nessas horas qualquer preço parece barato para não encará-los, até mesmo o seu descanso: Tudo apenas para não deixar com que esses vultos que circulam a sua cabeça te atordoem, cutuquem a sua garganta e faça seus olhos marejarem. Sim, tudo para com que essas lembranças não fiquem livres e cheguem tão perto ao ponto de você ser engolido por elas.
Por isso que desde que ela partiu, foi assim que me mantive: Um olho fechado para dormir e outro aberto a vigiar.

Por que se eu deixo, essas memórias me devoram.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Um parque de diversões

As flores de outono caiam de forma desajeitada naquele parque. Não desciam com elegância como faziam na primavera.Eram arrancadas pelo vento, suas pétalas secas varridas ao lado de sacos de pipoca, galhos frágeis e camisinhas usadas.Os ossos finos de Gabriel vibravam com aquela brisa, ameaçando ser varridos também.Gabriel era frágil.Tinha 8 anos e não sabia que crianças não são arremessadas por correntezas de ar de parquinhos. A única coisa que sabia era o que sentia: o
vento que puxava seu corpo mirrado, enquanto seus joelhinhos lutavam com aquela força invisível, que gritava em seus ouvidos. Sentia um bafo gelado na nuca. Aquela criatura ou seja lá o que for devia estar muito, mas muito perto.

O pavor o tomou de sobremaneira que sobrepôs até mesmo a sua típica xeretice de criança, de quando pouco se conhece e muito se fascina, curioso. Ao invés disso calava-se, corria e não olhava para trás, preso as imagens já pintadas da situação: Bicho papão, bruxas, fantasmas e ursos polares assassinos. Independente de qual fosse, eram todos terríveis. Não queria ver o que enfrentava, pois sim, sabia que era frágil. Também batia a vontade de chorar. Sua garganta cutucava, mas o choro esperneado ou até mesmo um berro não saia, seu corpo não abria espaço para exprimir seu desespero: Estava ocupado demais bombeando seus pulmões menores do que uma mão e suas pernas mirradas, ao ponto de se partirem como gravetos por correr tanto.

Aos 8 anos Gabriel descobria o desespero e a euforia. Mal sabia que seu vínculo com elas só estreitaria com o aumentar dos anos, contas e pisos salariais.

Todo conto cheio de tensão tem o elemento 'X' - Um divino acontecimento feliz que muda o curso da história - E não será aqui que haverá uma exceção. Bastou alguns segundos a mais para o pequenino conhecer a fé, grande amiga que substitui qualquer
tipo de amizade com as duas indesejadas companhias anteriormente citadas. Já que o autor que vos escreve sofre no momento de uma tremenda falta de criatividade, me apropriarei de um velho clichê - as pernas de um homem adulto, nesse caso específico, de um pipoqueiro - para metaforizar a fé, na qual Gabriel dá de frente depois de correr algumas boas milhas. Agarrado com todas as forças que suas mãos miúdas permitem, Gabriel tentava através da dor e intensidade do agarrão comunicar o tamanho do desespero que sentia para o velho de cara mal-lavada. As escassas palavras que aquele garotinho conhecia não eram suficientes para expressar sua aflição.

O pipoqueiro então chacoalha um pouco sua cabeça, rindo de Gabriel. Pega ele no colo, e explica que é tudo coisa da sua imaginação. Não existem bichos papões, bruxas, fantasmas e ursos polares assassinos. Tampouco algum duelo ou perseguição
implacável, ou uma ameaça ao mundo. Não, era só papai do céu que espirrou bem forte e o Papa-léguas que deu uma voltinha ao redor do parque. Fadinhas mágicas voando tão rápido que você nem viu, garotinho. O bem triunfava, todos eram seus amigos e
não havia o porquê de Gabriel se sentir em risco.




As flores da primavera se erguiam de forma imperial naquele parque. Não murchavam como faziam no outono, e nem eram arrancadas pelo vento, preferindo deixar seu pólen a dançar uma linda valsa magistrada pela natureza, o ar ordenando o ritmo e os insetos, com suas infinitas cores e tamanhos, criando a melodia. Gabriel passeava com total controle e segurança sob aquele parque, cada passinho seu mui bem protegido. As vezes acelerava os passos e corria. Não demorava muito para perceber que era meio idiota fugir de coisa alguma. Fazia então uma cara birrada, chorava meio marrento e socava o ar bravo, imaginando a cara de bolacha daquele pipoqueiro boboca.
E desejava como nunca que o inverno e seus ursos polares assassinos voltassem.